Era uma sexta feira meramente comum. Digo isso, pois como em qualquer outro dia da semana, eu tinha ido para a escola. E depois... é claro fui ao Becos.
Chegando próximo ao local eu via algumas pessoas olhando um ônibus. Não sei se era isso, mas eu acho que elas estavam impressionadas de verem ônibus vazio em São Paulo.
Eu acho que a coisa ia mais além, pois o veículo era vermelho e tinha uma legenda: carne. Bem, eu já sabia do que se tratava, mas mesmo assim me impressionei. Era diferente demais!
Tive a coragem de entrar no veículo. Só lamento pelas pessoas que eu tinha chamado e não foram lá para explorar a obra. Pois sim! Entrei nele e me senti tonto. Não sou acostumado a ver tudo vermelho.
As sensações foram muitas, dentre algumas eu senti um certo calor meio parecido com o de ônibus lotado. Porém havia poucas pessoas. Nesse momento eu fiquei analisando simples forros de papel vermelho e fiquei contente em descobrir que materias comuns são capazes de formar coisas grandiosas e bem interessantes.
A tontura passou e então foram abertas algumas janelas. A luz do dia que entrou por ali machucou meus olhos.
Desci dele sem me arrepender de ter entrado. As pessoas que estavam impressionadas estavam seguindo suas rotinas normais – Elas não sabem o que perderam!
Agora eu sei que esse negócio de Arte Contemporânea nos torna parte da própria arte. Senti-me uma carne de primeira sabendo que um ônibus também transporta cultura.