Mundos vermelhos talvez não existam, mas eu conheci um...
Quando entrei logo imaginei que seria fantasia, mas era real, e vermelho. Suas portas se abriram e junto a outros entrei. Senti calor, senti meus olhos se contorcerem e ao mesmo instante senti desfalecer as paredes.
Já tirando algumas peças de roupa percebi o quanto aquilo me cheirava a paixão, daquelas avassaladoras, que vira tua vida ao avesso e teu mundo por inteiro. Foi aí que me situei, estava num mundo de sentimentos, exatamente no do amor, justificava-se a cor por este fato.
Brisei e brisei novamente, e sem alucinógenos no meu sangue, na minha mente. Fiquei a andar por esse mundo, havia assentos, também vermelhos, no qual me sentei em um, a sensação me lembrava flutuar no mar. Neste instante vi um filme passar na minha frente, era uma retrospectiva dos momentos felizes que passei com namorados, ficantes e amantes, vi aqueles momentos tristes também, entretanto estes eram em menor escala, que se apagavam rapidamente.
Deste modo uma felicidade quis entrar em mim, e ela conseguiu. Me senti confortavelmente anestesiada, assim como na música do Pink Floyd: relax relax.
Mas então vi as luzes, raios verdes, que pouco a pouco, foram manchando o vermelho do meu mundo...
Sim, o filme foi apenas fantasia da minha cabeça, mas este mundo vermelho existiu e se chamava carne, ônibus carne. Os raios verdes eram a luz de fora que entrou pela janela, que havia sido aberta.
Logo desci, e ele caiu na estrada, foi embora...
Meu coração, meu pedaço de carne que partiu.
by Aricia Araújo
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