sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Não era comigo, então...

Estava eu na lotação que, como o próprio nome já sugere, estava “entupida” de gente, como de costume. Um senhor que aparentava uns trinta anos estava ao meu lado. Permanecera quieto durante toda a viagem. Pelo menos até aquele momento... Acontece que entrou na lotação um jovem que, ao passar por mim, tomou o cuidado de manter seu corpo próximo, por assim dizer. Incomodei-me, mas nada disse, apenas me afastei e fiz “cara de poucos amigos” como normalmente faço em situações inconvenientes. O senhor ao meu lado irritou-se espantosamente. Se eu fiquei quieta, ele agiu em minha proteção, quase como um “defensor de jovens indefesas”. Retrucou com o jovem o fato de esse estar me importunando, mostrando-se muito irritado. O jovem pareceu ainda mais nervoso e a discussão se formou. Iniciou-se, então, a “troca de elogios” entre ambos, com palavras impublicáveis. Repentinamente, o senhor deixou de lado as agressões verbais e deu um belo soco na cara do jovem. Este, depois de recuperar-se, repetiu o ato na direção do outro. A briga e a pancadaria em plena lotação estava formada. Daí em diante, o caos: motorista e cobrador reclamando, senhora tendo ataque de indignação, gente reclamando, gente rindo, gente separando e gente pondo lenha na fogueira. Eu, surpresa e até um pouco assustada, confesso, nada mais fiz além de dar o sinal e descer da lotação. Pegaria outra. Creio que o real motivo da briga era motivo algum. Algumas pessoas entram nos coletivos tão irritados, que brigariam por qualquer motivo e com qualquer pessoa. Egoísmo ou não, fui embora. Se queriam se matar, que se matassem. Como já diria um velho amigo, “não era comigo, então, não `tava nem aí”.

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